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Por que escrever poesia?
O ato de escrever por si só é um ato generoso. Compartilhando de si
o dom de traduzir emoções, sentimentos e pensamentos. Pois é preciso
uma habilidade e uma intimidade refinada com a linguagem e com o código
grafológico.
Ao escrever poesia, apura-se um pouco mais a capacidade dissertiva.
Grafando o subjetivo, o etéreo,o surreal, o poeta transcende a ele próprio.
Ele traz ao leitor, e a si mesmo, porquanto também ele é leitor, o universo
interior do mundo. Seja de seu próprio mundo (na perspectiva do leitor e do autor),
seja do mundo das coisas, dos elementos até do imaginário.
A poesia traz à luz do consciente um submundo, às vezes bonito e afável,
outras vezes sombrio, mas ao encontrar a subjetividade, o poeta participa
do movimento grandioso que é curar o que tanto transtorna o ser humano: o não conhecer-se intimamente.
Anorkinda
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O que é a perfeição?
Desde os primórdios de nossa existência, o ser humano vem procurando algo. Durante esta interminável busca criamos civilizações, destruímos semelhantes e evoluímos de diversas formas. No entanto, nenhuma de nossas conquistas ou derrotas nos satisfez. Isto porque o ser humano quer o inalcançável: a perfeição.
Mas o que é a perfeição? Um mundo conscientizado, onde a paz e a harmonia reinam? Não, isso se chama utopia e é quase impossível de ser realizado. Afirmo isso pois deveria ser necessárias gerações de reestruturação cultural no mundo inteiro, criando pessoas de extrema moral e ética; tudo isto sem erro.
A perfeição não é nada mais do que uma expressão popular. É totalmente subjetivo, pois cada pessoa tem a sua visão independente do que lhe é perfeito. Isso depende muita da criação do indivíduo: qual a cultura de sua cidade e seu país, os conceitos morais e éticos, a família, os amigos e etc.
Para algumas pessoas, a perfeição se encontra na plena riqueza material. O sonho de vida delas é ganhar muito dinheiro e status; e vivem felizes quando realizam tais planos. Outras acreditam no amor e vivem nesta função. Seu maior objetivo é constituir a clássica família feliz, com uma grande casa em algum subúrbio pacífico.
Há aquelas que se satisfazem sozinhas, sobrevivem de aventuras. Preocupam-se muito com sua mente e espiritualidade, e,por isso, acabam deixando os outros de lado, em segundo plano. Muitos baseiam a sua visão a partir de outras idéias e histórias. Vêem um belo filme romântico e a partir daí se iludem acreditando que vão encontrar alguém semelhante ao personagem imaginário que mais lhe agradou.
O que seria perfeito para você? Uma tarde na praia com os amigos? Uma caminhada numa bela montanha? Ou passar uma noite na mais badalada cidade do mundo?
Essas pessoas vivem uma ilusão. Não compreendem que seus ideais são movidos por simples pensamentos subjetivos, que não há realidade concreta e concisa neles. Alguns são tão cegos que não admitem opiniões alheias, criando dogmas próprios. Isso faz com que a grande maioria viva infelicidades terríveis durante a vida inteira, pois idealizam tudo e todos. Criam um mundo mental que conspira contra elas mesmas. Mas há um jeito de fugir desta realidade horrível e é muito simples:entender e aceitar o fato da subjetividade da perfeição e domar sua própria mente.
Tudo começa com o auto questionamento. Devemos passar por uma grande limpeza mental, destruir mágoas e entender nossas verdadeiras vontades. A partir daí,construímos os nossos objetivos e nossas virtudes. E por último, e o passo mais importante, entender que nós somos os únicos responsáveis pelo nosso destino. Haverá interferência de terceiros, no entanto, a decisão final sempre será nossa. O futuro está nas mãos de cada um, basta saber conduzir a vida na direção certa.
A perfeição é algo criado por nós mesmos, uma expressão usada para saciar a curiosidade humana. Nunca estaremos satisfeitos, isso já é um fato. Mas, individualmente, podemos ser felizes. Basta querer e correr atrás da nossa própria perfeição.
Fabio Barreiro
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Estressados X Relaxados
Lewis Terman, da Universidade Stanford, juntou cerca de 1.500 crianças em São Francisco. Entre elas estavam a inteligente Patricia e seu colega John. Ele estava interessado em entender quais os fatores que ajudam para o sucesso intelectual e, por isso, iniciou uma longa pesquisa. A partir daí, junto com seus seguidores, começou a juntar dados precisos sobre a vida cotidiana destes jovens: quantidade de atividades físicas, amamentação, alimentação, satisfação no emprego, no casamento e na vida sexual, e muito mais.
Oitenta anos após o início desta longa pesquisa, Patricia e John viviam com saúde. Por que isso? Qual era o segredo desta dupla? Este tipo de pergunta motivou os psicólogos Howard S. Friedman e Leslie Martin, ambos da Universidade da Califórnia, a iniciarem uma grande e ousada pesquisa. Desde os anos 90 esta dupla investiga o passado dessas 1.500 crianças de Lewis. O objetivo central é entender como e por que alguns morreram precocemente enquanto outros se tornaram tataravôs. A história desta pesquisa se encontra no livro The Longevity Project, da Editora Penguin. Esta obra ainda não foi publicada no Brasil, mas pode ser encontrado na livraria eletrônica da Amazon.
Nele, Friedman e Leslie desafiam o senso comum: afirmam que o estresse e a preocupação ajudam na longevidade da vida. Quais são os conselhos habituais para se ter uma vida longa e feliz? Simples: evitar o estresse, comer verduras e frutas, fazer muita atividade física, cultivar grandes amizades, ter um bom casamento, não trabalhar demais, combater a timidez e evitar experiências traumáticas. No entanto, para a dupla, a calma pode deixar um indivíduo muito relaxado, despreocupado. E segundo o seu livro, crianças preocupadas e mais pessimistas chegaram aos 90 anos de idade.
Aí fica a pergunta: por quê? Pois cuidaram mais de sua saúde ao longo dos anos e buscaram relacionamentos mais satisfatórios. Eram pessoas que possuíam um grande compromisso com o seu trabalho. O casamento só ajudou na longevidade para aqueles que foram felizes nele, pois os homens que eram viúvos ou divorciados viveram menos. As mulheres não se aplicam nisto. Também é de extrema importância para a pessoa passar por momentos traumáticos, pois isso os torna mais fortes e decididos, fazendo com que vivam mais. O segredo em geral pode ser resumido em poucas palavras: para viver mais é preciso ser preocupado sem ser neurótico.
No entanto, há uma grande falha nesta curiosa pesquisa que se tornou um livro. Não há estatísticas e dados objetivos nele para fortalecer as afirmações dos autores, suas informações são todas baseadas em testes de personalidade e relatos de estilos de vida feitos pelos próprios participantes. Notas de rodapé indicam referências de análises feitas com grupos menores – cerca de 700 pessoas – e publicações sobre o estudo em revistas científicas de pouca expressão. A pesquisa certamente chama a atenção, porém, está longe de abalar o conhecimento atual sobre a longevidade humana.
Ele também é alvo de críticas por outro motivo. A amostra total é muito pequena e isto compromete o estudo, que é relacionado à grande massa. Ele não atinge o nível para este tipo de estudo científico. Podemos usar como exemplo o caso Framinghan Heart Study, um dos mais respeitados estudos de saúde já realizado. Há cinco décadas, três gerações de moradores de uma cidade localizada no Estado de Massachusetts, no total de 14 mil pessoas, estão sendo acompanhadas para descobrir os fatores que contribuem para o surgimentos de doenças cardiovasculares. Só há uma única fonte incontestável de informação no livro: as certidões de óbito que a dupla usou para comprovar a idade e a causa da morte dos voluntários. Entretanto, a partir deste material, a proposta desta pesquisa é ousada demais.
Como é possível afirmar que o divórcio pode diminuir a vida de uma pessoa em 20 anos? Ou que crianças que entraram na escola antes dos seis anos tiverem a vida encurtada porque brincaram pouco na infância? Aliás, estamos vivendo uma época diferente. Antigamente o divórcio tinha um efeito bastante traumático, pois implicava quase sempre na perca permanente do pai ou da mãe. A disciplina escolar também era muito diferente, era muito comum existir punições severas, inclusive castigos físicos. Além disso, todas as crianças pesquisadas eram brancas e de classe média. Como seria possível aplicar seus resultados nas outras classes? Isto tudo torna a proposta do livro insustentável, quase inaceitável.
Apesar da fragilidade desta pesquisa, por se apoiar quase exclusivamente em informações de comportamento, ela chama a atenção popular. Portanto, não empolga os profissionais deste ramo, principalmente os que se preocupam com os aspectos biológicos da longevidade. Segundos eles, é um estudo observacional, não há nada de objetivo nele. Os conselhos para se ter uma vida saudável continuam os mesmos. Devemos lembrar que todos eles ajudam, no entanto, não garantem uma vida longa. Há muitos outros fatores que implicam na longevidade de um indivíduo, desde a personalidade, desde uma genética que o torna duro na queda.
Fabio Barreiro